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A origem do Santa Inês
Os sertanejos, antes de tudo, são inteligentes – é o que garantem os ovinos e caprinos “nativos” do Nordeste. Eles observaram, no correr das gerações, que os animais domésticos eram mais rústicos, quando apresentavam uma pelagem imitando a dos animais silvestres. Talvez por essa observação, os antigos criadores de carneiros sempre preferiram o carneiro com coloração de “pêlo-de-boi”, por ser mais próxima da coloração dos animais silvestres e também por ser parecida com o boi “curraleiro” que vivia solto nos sertões.
A História registra que, entre 1640 e 1750, quando os holandeses dominavam o Nordeste brasileiro, já existiam ovelhas do grupamento Jaguaribe . Na verdade, existem raças africanas parecidas com a Jaguaribe . Quando os holandeses perceberam que estavam perdendo a guerra e tudo que construíram no Brasil, trataram de levar a tecnologia da cana-de-açúcar para a América Central e, juntamente, com ela, seguiram também muitos carneiros. Os holandeses levaram tudo que havia de melhor! E foram para a ilha de Barbados!
Os animais enviados para a ilha de Barbados, pelos holandeses, deram origem à raça “ Blackbelly ” (significa “ Barriga-Negra ”) que, hoje, tem renome mundial. Enquanto isso, no Nordeste, a Barriga-Negra vem sendo segregada e selecionada no Nordeste por alguns estudiosos, como Manuel Dantas Vilar Filho, da Fazenda Carnaúba, em Taperoá (PB).
Uma coisa é certa: se a raça Barriga-Negra continuou existindo no Brasil, há séculos, então é correto acreditar que a origem do Santa Inês pode ser retroagida por muito tempo. Supõe-se, então, que os holandeses não levaram apenas a raça Morada Nova, mas também mestiços de outra raça que, sem dúvida, seria o ancestral do Santa Inês atual, passando pela Barriga-Negra . O Santa Inês , portanto, pode ser muito mais antigo do que se pensa (ver Raça Barriga-Negra, neste livro).
Também a raça “ Pelibuey ” (que quer dizer “Pêlo-de-boi”) é semelhante aoSanta Inês e predomina nos Estados Unidos, México e outros países, apresentando orelhas mais curtas e contando até com Programas de Melhoramento Genético para ele. Sua origem também poderia ser remontada às ovelhas levadas pelos holandeses quando fugiram do Nordeste brasileiro.
Mais recentemente, os Estados Unidos criaram a raça St. Croix , um cruzamento entre o Wiltshire com o Crioulo das Ilhas Virgens (da África) – produzindo um carneiro similar ao Santa Inês .
O próprio Santa Inês, ou seus ancestrais, portanto, está na origem de diversas raças deslanadas famosas do mundo ocidental!
É comum ouvir que a raça Santa Inês é resultado do cruzamento entre a raçaBergamácia e a Morada Nova . Esta explicação foi dada pelo Prof. Octávio Domingues, quando perambulava pelo Ceará. Acontece que o Bergamáciatem origem na Itália e, portanto, é pouco provável que tenha sido introduzido no Brasil no período colonial e imperial. Não existiam animais Bergamascos disponíveis naquela ocasião! A raça Bergamácia somente chegou ao Brasil depois das imigrações italianas, ou seja, a partir da década de 1920. Poucas introduções mostram a chegada do Bergamácio na década de 1930 e início de 1940. A raça de longas orelhas, no Brasil, era a Sudanesa e a Zebu .
O certo é que vieram indivíduos de muitas outras raças africanas para o Nordeste brasileiro. E também raças vindas de Portugal e da Espanha. A origem do Santa Inês , portanto, seria melhor explicada, depois de analisar as possíveis influências ibéricas ou africanas.
No início do século XX era comum denominar o ancestral do “ Santa Inês ” de “ Zebu ”, devido às suas longas orelhas. O carneiro “ Zebu ” continua existindo, até hoje, nos diversos Estados nordestinos, desfilando longas orelhas e muita rusticidade. A expansão do gado bovino Zebu orelhudo batizou o carneiro também orelhudo com o mesmo nome.

Ademais, o Santa Inês era, inicialmente, da pelagem vermelha (“pêlo-de-boi”) mas, rapidamente, ganhou novas pelagens: negra, lavrada, rajada, multicolorida, tartarugada, etc. De onde teriam vindo essas pelagens? Da Itália, jamais. Da Espanha, também não. De Portugal, também não. Então, a explicação estaria apenas na África.

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